Terça-feira, Julho 14, 2009

Um dos maiores assassinos, acusado em Haia

Charles Taylor, o antigo autocrata da Libéria foi hoje acusado em Haia de crimes de guerra contra a humanidade. O rol de acusações inclui: homicídio, recrutamento de crianças soldado, exploração sexual das mulheres e trabalho escravo para a exploração diamantífera. As atrocidades perpetradas por Charles Taylor na guerra civil são das mais hediondas que se possa imaginar. As vítimas, tanto população civil como soldados opositores, eram mortas de forma rotineira, a tiro, à machadada ou queimados vivos. Os soldados escolhidos para levar a cabo tais actos eram em grande número crianças, que foram usadas para combater e cometer todo o tipo de crimes. Estas eram espoliadas das famílias, e por vezes obrigavam-nas a matar os próprios pais. Mulheres e raparigas eram também levadas pelas forças rebeldes para serem usadas como escravas sexuais. Desta maneira chegou ao poder na Libéria e instigou a guerra civil no país vizinho, Serra Leoa, com interesses na exploração de diamantes.
Hoje negou todas as acusações que lhe são dirigidas, alegando que lutou toda a sua vida para fazer o achava ser correcto e do interesse da justiça.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Libéria

A Libéria (do latim, “terra livre”) é um país Africano criado pelos Estados Unidos da América por volta de 1916, com o intuito de fazer emigrar os escravos libertados no país, apesar da abolição ter chegado apenas em 1860. Esta medida reveste-se de carácter profiláctico e não altruísta. É que segundo a opinião da época, receava-se que esses negros não se integrassem na sociedade, e que daí advinha certas situações nada convenientes para a sociedade branca, como a criminalidade e outra mais xenófoba, o casamento inter-racial. O promotor desta espécie de diáspora foi a American Colonization Society, que então adquiriu uma parcela de terra perto do cabo Mesurado e aí instalou os primeiros colonos negros. Os conflitos com os povos nativos foram sempre uma constante até hoje. Em 1847 a Libéria declarou independência e o partido True Whig dominou a vida política até 1980. A sua constituição é um decalque da constituição americana e a bandeira nacional são de óbvia inspiração. Nesse ano Samuel Doe protagoniza um golpe de estado e executa o então presidente Tolbert. Em 1989 o National Patriotic Front of Liberia (NPFL) toma em pouco tempo conta do país, mas dissidentes do NPFL formam o Independent National Patriotic Front of Liberia (INPFL) que impedem este de tomar Monróvia (capital da Libéria) e assassinam o Presidente Doe. A Comunidade Económica da Africa Ocidental enviou uma força de paz a ECOMOG, mas o cenário de guerra expande-se e são quatro forças em conflito a NPFL, a INPFL, a ECOMOG e a United Liberation Movement of Liberia for Democracy (ULIMO), esta composta por antigos aliados do presidente Doe. A guerra dizima o país cerca de 200 mil morrem e um milhão vive como refugiado. Esta guerra cria uma das maiores atrocidades, típicas nos conflitos em África, o recrutamento de crianças soldado. Os grupos rebeldes como o NPFL dizimavam aldeias e obrigavam as crianças a matarem os seus pais, davam-lhes drogas e obrigavam-nos a combater. As raparigas, normalmente, eram feitas escravas sexuais do exército rebelde. Consta que 15 mil crianças lutaram neste conflito, em ambas as partes e que muitas unidades eram constituídas apenas por crianças.
Depois das tréguas, Charles Taylor, agora líder do Partido Patriótico Nacional (antigo NPFL) vence as primeiras eleições legislativas em 1997. As crianças soldado depois de usadas para a guerra, são abandonadas, criando um enorme problema social, visto que muitas delas perderam os pais.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Alegoria das três idades


Obra do pintor renascentista Ticiano do século XVI.

Domingo, Junho 07, 2009

Che - Guerrilha (parte 2)


Bolívia é o último reduto do guerrilheiro. Steven Soderbergh continua a biografia sobre Che Guevara (Benicio Del Toro). Uma visão com um estilo um pouco asséptico, sobre a história de comandante Che Guevara, mas que descreve os factos que ocorreram na Bolívia, o que correu mal, e o que desencadeou na morte do guerrilheiro.
Ernesto Guevara, Ministro da Indústria, Presidente do Banco Nacional e embaixador de Cuba, abdica do seu conforto para levar a revolução à América Latina. Escolhe Bolívia, o coração da América do Sul para encetar esta sua nova empresa, na expectativa de que depois de lograda, poderia invadir Argentina (a sua terra natal) e que a revolução se espalhe pelos restantes países da América do Sul. Só que tudo corre mal; não obtém o apoio do partido comunista boliviano, não consegue estabelecer relações com os camponeses e depara-se com dificuldades num território inóspito e que mal conhece. Então a ditadura militar de René Barrientos (interpretado pelo português Joaquim de Almeida) com o apoio da CIA divide o já parco grupo de guerrilheiros e fazem-lhe uma emboscada. Che é capturado em combate e depois fuzilado.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Do caso Alexandra

A noção de lei, pode ter tanto de bom como de leviana.
Ela tem em princípio um carácter inibitório como regulador do caos (e esta é a sua mais valia) mas, quando a lei se torna numa espécie de corpo fechado desenvolve um poder arrasador, que em muitos casos submete o homem, negligenciando-o, apenas porque tem de fazer valer o seu organismo.
A lei então não se torna apenas cega, mas obsessiva com a única coisa que consegue abarcar, ela mesma. Não vê, porque é demasiado grande para poder enxergar o quer que seja à sua volta. Então, aqui, ela não funciona como lei mas como outra coisa qualquer. Absorta da realidade nunca julga os casos, julga-se a si repetidamente sem saber que o faz. Ao invés de ter o poder de se adaptar às diferentes situações e vicissitudes, sentencia segundo as suas premissas e não julga.

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Memórias de Adriano



Esta obra de Marguerite Yourcenar, é uma enorme torrente de génio literário. Uma das melhores narrativas, que cruza história e ficção com a habilidade e a prosa desta grande escritora. Assim entramos na própria cabeça de Adriano e magicamente andamos ao sabor das suas cogitações. Uma obra fabulosa e imprescindível.
Adriano imperador romano, com a saúde debilitada, sente que o seu fim está próximo. Dirige então uma carta a Marco Aurélio, onde lhe conta tudo por que passou desde jovem, quando ainda enfileirava as linhas do exército romano, passando pela sua ascensão a imperador, confessando-lhe o assassínio de alguns dos seus oponentes para lá chegar, até aos últimos dias da sua vida. Desabafa as suas preocupações relacionadas com o império e o rumo que este devia tomar. Ao invés de uma política de expansão preferia definir as fronteiras e fazer frente às cada vez maiores incursões bárbaras.
Uma parte preponderante da carta, é a que ele dedica ao seu grande amado Antínoo. Descreve a sua paixão, o seu amado e relata por fim a enorme dor porque passa após o suicídio de Antínoo. Por fim, Adriano, quer com esta carta passar a sua experiência ao seu protegido Marco Aurélio e designar um sucessor, Antonino.

Quinta-feira, Maio 21, 2009

João Bénard da Costa

Quarta-feira, Maio 20, 2009

O pequeno traidor

Após a Segunda Grande Guerra, há uma grande afluência de judeus à “terra prometida”. Na Palestina Britânica, Inglaterra tenta conter a imigração sionista, mas em 1947 e segundo a resolução da ONU, forma-se o Estado de Israel.


Realizado em 2007 por Lynn Roth e baseado na obra “Pantera no porão” de Amos OZ, conta com Alfred Molina e Ido Port nos principais papéis.
Proffi (Ido Porty) é uma criança, que como os seus colegas, querem expulsar os britânicos do seu país. Uma noite rompe o recolher obrigatório é interpelado pelo sargento Dunlop, só que este ao invés de o prender, leva-o a casa. Daí em diante, começa a visitar o sargento com regularidade e desenvolvem uma grande amizade. O filme, tal como o livro debruça-se sobre a questão do amor e compaixão em tempos guerra. Para variar, uma história bela e de esperança. Recomendo

Quinta-feira, Maio 14, 2009

Che - O argentino (parte 1)


Steven Soderbergh, incide a luz sobre a mítica personagem histórica Ernesto Che Guevara (Benicio Del Toro) e clarifica um pouco qual foi o seu papel na revolução cubana para derrubar a ditadura de Fûlgencio Baptista. O filme com cerca de duas horas, baseado no livro de Che "Reminiscences of the Cuban Revolutionary War” faz uma justa e correcta abordagem histórica do que foi a revolução cubana. Claro que muito fica por contar, mas espero ansiosamente pela segunda parte. Nomeadamente para ver o papel de Che, nos fuzilamentos dos contra-revolucionários ou reaccionários, facto que a meu ver e apesar de tudo deveria ser incontornável.
Fidel Castro (Demián Bichir) aparece muito bem, Steven Soderbergh, não exagera nem exclui, quando faz entrar em cena Fidel, com cenas muito bem conseguidas que dão a noção da relação hierárquica entre Fidel e Che, sem que Fidel alguma vez eclipse Che durante o filme, porque, e repentinamente, sai de cena para voltar a entrar mais tarde. O filme revela para mim uma surpresa, a ponte que foi Raúl Castro (com o brasileiro Rodrigo Santoro) na relação de Che com o seu irmão Fidel, que me pareceu ser essencial nos primeiros contactos. A relação entre ambos podia ser mais explorada, mas se calhar isso já dava outro filme.
O único senão, é a tentativa de depurar a história com imparcialidade, mas a história é sempre parcial. Contudo essa tentativa não vai provocar grandes efeitos colaterais no filme porque está lá Che, ou seja Benicio Del Toro, que carrega com ele numa brilhante interpretação toda a aura do mítico guerrilheiro.

Terça-feira, Maio 05, 2009


Os fuzilamentos de três de Maio, do pintor Francisco Goya.

Napoleão invadiu a Espanha em 1808 e subjugou a monarquia espanhola às suas ordens. No dia 2 de Maio de 1808, o povo madrileno revolta-se e tenta impedir a saída para França do infante D. Francisco de Paula de Bourbon, ordenada pelos franceses. A 3 de Maio as tropas francesas para reterem o levantamento, atiram sobre os sublevados. Centenas de madrilenos foram fuzilados. A obra retrata a cena em que quarenta e quatro revoltosos foram fuzilados no monte Príncipe Pio.

Segunda-feira, Abril 27, 2009

O Fracasso de Slumdog Millionaire



O bom cinema não tem que ter necessariamente uma câmara em movimento, a correr pelos bairros de lata de Bombaim. Penso que o grande premiado “Slumdog Millionaire” de Dany Boyle é um fracasso.
A abordagem que faz da miséria e da violência é redutora e “Slumdog Millionaire” limita-se a contemporizar-se com elas. E estabeleço aqui um paralelo, porque parece-me a mim, que há aqui uma aproximação a um outro filme muito mais bem conseguido, a “Cidade de Deus” de Fernando Meireles. “Cidade de Deus” mostra as entranhas da violência e da miséria. A origem, como funciona, os agentes, a passividade e a corrupção. “Cidade de Deus” é um murro no estômago.
“Slumdog Millionaire” tenta com os argumentos da produção e imagem fazer um filme dito “moderno”. Podia corroborar com atribuição de Óscar para melhor fotografia, mas tais argumentos são manifestamente insuficientes. Os diálogos são paupérrimos e a mensagem final é fútil. Embora Jamal (Dev Patel, actor indiano nascido em Inglaterra) usasse o programa Quem Quer Ser Milionário para encontrar Latika (a lindíssima Freida Pinto), o destino reservou-lhe o seu milhão, sem qualquer esforço. Aliás a sua presença assemelha-se mais a um menino de coro do que a “slumdog”, um menino de bairro de lata, a quem a difícil vida não parece ter deixado marcas.

Sexta-feira, Abril 17, 2009

Pirataria nos dias de hoje

Para enterdermos melhor o que se passa ao largo do Oceano Pacífico, “In the Pirate's Den” é o nome de uma excelente peça do melhor jornalismo de vanguarda.
Já agora, ver também "Chinatown, Africa", a invasão de mão-de-obra chinesa em Angola.
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